Por trás da aparência ordenada e do discurso de sustentabilidade, as florestas de eucalipto escondem um impacto alarmante e pouco visível: a morte silenciosa da biodiversidade nas nascentes. Um estudo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) jogou luz sobre um problema que há anos corre subterrâneo, assim como as águas que alimentam rios e comunidades inteiras.
A pesquisa, realizada em nascentes da Mata Atlântica mineira, revelou um dado chocante: áreas próximas a plantações de eucalipto apresentaram quase 30% menos diversidade de organismos aquáticos em comparação às nascentes cercadas por vegetação nativa. Não se trata de detalhe técnico. Trata-se de um colapso ecológico em miniatura, capaz de comprometer toda a cadeia da vida aquática.
Larvas, moluscos, minhocas e outros macroinvertebrados — organismos fundamentais para a qualidade da água — simplesmente desaparecem quando o eucalipto avança. O motivo é claro: a monocultura empobrece o ambiente. As folhas que caem são sempre as mesmas, o solo se torna mais ácido, outras plantas não conseguem se desenvolver e o ecossistema entra em modo de sobrevivência.
Mesmo quando o plantio respeita formalmente a distância mínima das áreas de preservação permanente, o impacto permanece. A proximidade, ainda que indireta, altera a dinâmica da água, do solo e da alimentação desses organismos. O resultado é uma nascente biologicamente empobrecida, frágil e mais vulnerável à contaminação e à seca.
É escandaloso que, diante de evidências científicas tão claras, o discurso oficial ainda trate o eucalipto como solução verde. Chamar essas plantações de “florestas” é um insulto à complexidade da natureza. Floresta abriga diversidade. Monocultura expulsa.
O que está em jogo não é apenas a fauna invisível aos olhos leigos, mas a saúde dos rios, dos aquíferos e do próprio abastecimento humano. Ao permitir que o eucalipto avance sobre territórios sensíveis, o Brasil aposta num modelo que sacrifica o futuro em troca de ganhos imediatos.
As nascentes estão falando. O problema é que poucos querem ouvir.
Por Redação.
